domingo, 22 de junho de 2014

O Brasil deve criar um sistema antiespionagem?


 

 

Independência ou o fim da liberdade digital! Pode parecer exagero, mas o governo brasileiro está realmente chateado e preocupado com as denúncias de espionagem dos Estados Unidos sobre a presidente Dilma e a Petrobras – que recentemente estiveram na mira da Agência Nacional de Segurança norte-americana. E, pior, agora o país pretende se divorciar da internet centralizada nos Estados Unidos, por onde passa quase 80% do tráfego online de todo o mundo.
 
A presidente Dilma ordenou uma série de medidas para aumentar a autonomia online do país. Uma das mais polêmicas é a criação de um serviço público de e-mail criptografado antiespionagem. O projeto estaria em desenvolvimento em parceria com “Os Correios” com previsão de lançamento já em 2014. A ideia do “mensageria digital” é oferecer alternativa aos serviços como Gmail e Yahoo e armazenar no Brasil todo tráfego digital que hoje passa obrigatoriamente pelas terras do Tio Sam. Mas essa história poderia ser praticamente resumida como “trocar de vigilante”.

"Acredito que vamos trocar uma possibilidade de espionagem pela certeza. O que preocupa é quem estará nos vigiando. Se o indivíduo fosse íntegro, não teríamos problemas. Mas nós sabemos que tipo de pessoas estão no governo", comentou Luli Radfahrer, Ph.D. em comunicação digital da ECA-USP.


Para ele, assim como bancos e outras instituições que prezam suas informações, em vez de tentar criar um sistema fechado para a população, o governo brasileiro precisaria ter uma excelente intranet para seus funcionários de níveis estratégicos; e, mais do que isso: educá-los.

"Este sistema não vai nos proteger na espionagem, mas a educação pode nos proteger. Todo alto escalão do governo precisaria aprender a usar a internet de verdade. E tem muitas pessoas boas dentro do governo que saberiam educar os demais", ressalta.


Os Estados Unidos alegam que qualquer ação de espionagem está diretamente ligada à prevenção de atos de terrorismo. Por exemplo, quando vemos bombas em eventos esportivos e ataques a civis, é completamente compreensível que se queira saber de onde vêm esses criminosos e suas possíveis ligações.


Uma coisa assusta: Luli lembra que esse desespero do governo brasileiro sobre espionagem digital só surgiu agora, em 2013, quando já se sabe que os Estados Unidos têm controle do tráfego na web há décadas. Por que será?! Bom, a gente sabe: as manifestações históricas entre maio e julho deste ano em todo o país tiveram início exatamente na internet; nas redes sociais. Sabe o que isso pode significar?

"Se você tem alguma forma de restringir as redes sociais ou usar esta estrutura de vigilância criminal em cima das redes sociais, você pode desmontar movimentos", diz.

O perigo desse tipo de isolamento geográfico digital é que isso poderia desabilitar serviços e programas e até ameaçar a estrutura da internet; uma verdadeira ameaça à liberdade da rede mundial de computadores a exemplo que o mundo já viu em países com governos mais autoritários.

"O remédio pode ser pior do que a doença. E a gente pode terminar com uma internet chinesa ou da Arávia Saudita que ninguém vigia, mas também ninguém conversa, porque qualquer coisa que você disser poderá ser usada contra você. É muito mais perigoso termos uma centralização governalmental, porque aí sim temso um ato de espionagem em cima da vida da população." 


Outra medida da presidente Dilma é fazer com Facebook, Google e demais empresas que mantenham dados gerados por brasileiros mantenham os dados gerados por brasileiros em servidores fisicamente localizados no Brasil. Mas, será que isso é tecnologicamente – ou melhor, financeiramente – possível?


Como a maior parte do tráfego de internet brasileiro passa pelos Estados Unidos, Dilma planeja também passar cabos de fibra ótica ligando o país diretamente à Europa e assim criar uma rede livre da espionagem americana. Claro, isso tudo custaria caro, muito caro.

"Nós não temos satélite e cabos, e teremos de usar dos outros. O problema não é a iniciativa, mas o que motivou essa iniciativa. É importante ter uma tecnologia própria, mas deveríamos ter feito há muitos anos e deveria estar se desenvolvendo progressivamente", finaliza.


E você, o que acha dessa história toda? Será que o país realmente precisa se isolar do mundo para ter uma internet segura? E quanto nós, usuários, pagaríamos ou perderíamos com isso? Faça parte dessa polêmica discussão e deixe seus comentários.

Aproveite e acesse os links abaixo do vídeo para saber se a criptografia realmente funciona para nos livrar da bisbilhotagem e para entender tudo sobre o PRISM, o programa de monitoramente da rede do governo de Barack Obama.

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